quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Darcy Ribeiro e o FUNDEF


Prof. Dr. Francisco Artur Pinheiro Alves
(artur.pinheiro@uece.br)

O projeto que resultou na lei 9394/96, sancionada pelo presidente FHC em  20 de dezembro de 1996, é de autoria do senador Darci Ribeiro PDT-RJ. Na verdade, tratava-se de um substitutivo ao projeto do relator, no senado, o cearense Cid Sabóia de Carvalho. Já na fase final de sua vida, acometido por um câncer, o Senador Darcy Ribeiro dedicou seus últimos dias a um intenso trabalho em torno da LDB. Sua dedicação e entusiasmo em relação ao tema foram tamanhos, que a lei foi batizada de Lei Darcy Ribeiro.
.Na sequencia da aprovação da LDB, o Congresso Nacional aprovou a lei 9424/96 sancionada em 24/12/1996, que criou o FUNDEF – Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério, também, com a participação e o entusiasmo de Darcy Ribeiro. Por esta lei os municípios, os estados, o distrito federal e a União ficaram obrigados a gastar os recursos deste fundo da seguinte forma: 60% na valorização do magistério e 40% em manutenção e desenvolvimento do ensino – MDE.  A forma de gasto com MDE ficou definida nos artigos 70 (o que pode)  e 71 (o que não pode)  da LDB.
A falta de cumprimento dos repasses relativos ao FUNDEF, de forma integral para os municípios, pela União, gerou um déficit altíssimo nos municípios, que por via judicial estão agora recebendo este passivo.
Neste momento a imprensa está noticiando uma polêmica em torno da aplicação destes recursos. Inspirado na história e nas posições políticas de Darcy Ribeiro, que lutou até o fim de sua vida pela educação, não temos dúvida: Os recursos do FUNDEF, ontem e hoje, são destinados à educação. Se fosse vivo, acredito, esta seria a posição do grande educador, político e antropólogo, Darcy Ribeiro.
Enviado para publicação no jornal Diário do Nordeste em Fortaleza.


40 ANOS DA UECE - LITERATURA DE CORDEL - FRANCISCO ARTUR PINHEIRO ALVES

Aniversário de
40 anos da UECE

Prof. Francisco Artur Pinheiro Alves
Fortaleza, 2015
Literatura de Cordel
1
Peço a Deus inspiração
Para aqui relatar
A história da UECE
Para assim comemorar
40 anos de vida
Tendo sido promovida
A melhor do Ceará
2
Em 1975
O governo aprovou
A criação da UECE
César Cals assinou
Era março, 6 o dia
Foi um dia de alegria
O povo comemorou
3
A UECE foi criada
A partir da união
De algumas faculdades
Na cidade e no sertão
É o que vou registrar
Pra isso fui pesquisar
E trago em primeira mão
4
Passo agora a descrever
Qual foi a composição
Que formou a nossa UECE
Lá na sua fundação
Começando com a FAVET
E o curso de Administração
5
O Serviço Social também
Fez a composição
A faculdade de Filosofia
E também lá do sertão
A FAFIDAM integrou
Foi assim que começou
A nossa composição
6
Teve o conservatório
Que Faltou eu citar
Hoje é da UFC
Mas é preciso registrar
Que a UECE ele compôs
Pra UFC foi depois
Posso lhes assegurar
7
Antônio Martins Filho
Foi o  primeiro reitor
Teve a grande tarefa
De ser o organizador
De todo este processo
Muito difícil, confesso
Que na UECE resultou
8
Danísio Dalton Correia
Foi o segundo reitor
Trabalhou por 4 anos
Muita coisa organizou
Padre Luis Moreira
Ocupou então  a terceira
Gestão como reitor
9
O terceiro reitor
Cláudio Regis Quixadá
Deixou a sua marca
É preciso registrar
Foi a interiorização
Que em sua gestão
Pode então se ampliar
10
Péripedes Franklin  Chaves
Foi o próximo reitor
Fez um grande concurso
Para o nosso interior
Lutou pela autonomia
Do governo não temia
Foi um grande professor
11
Paulo Petrola veio
Para a UECE mudar
Fez concurso inaugurou
A UECE em Tauá
Contratou professores
Ampliou os doutores
Foi bom para o Ceará
12
Manassés Claudino Fonteles
Foi o grande criador
Do curso de medicina
Que tem um grande valor
Para todo o Ceará
Pra saúde melhorar
Com ciência e com labor
13
O grande Assis Araripe
Foi quem  o sucedeu
Já tinha a experiência
De vice que surpreendeu
Fez uma boa gestão
Lutou pela interiorização
Sua página escreveu
14
O prof. Jáder Onofre
Foi também  reitor
O prof. Morais era vice
Muitas lutas enfrentou
Nunes na Pós Graduação
Teve grande expansão
Foi grande este pró reitor
15
Novamente o Araripe
Assumiu a reitoria
Governava com afinco
Tinha boa assessoria
Fui eleito coordenador
No seu mandato de reitor
Digo com muita  alegria
16
 Jackson Coelho Sampaio
Fui o último a se eleger
Idelbrando é seu vice
Eles fazem por merecer
Josete éa assessora
Competente professora
O concurso vão fazer
17
Agora da estrutura
Da UECE vou falar
São 3 campi em Fortaleza
E são 10 no Ceará
Seis faculdades atuam
Dois centros continuam
Um Instituto a zelar
18
A FACEDI em Itapipoca
A FECLESC em Quixadá
A FECLI  em Iguatu
Crateús a FAEC está
Em Limoeiro a FAFIDAM
E o mais novo do divã
É o CEITECE em Tauá
19
Em Fortaleza temos
O Centro de Educação
O Centro de Humanidades
São grandes na formação
Faculdade de Veterinária
A grande intermediária
Da cidade com o sertão
20
O  CESAS é o Centro de
Estudos Sociais Aplicados
O  Centro de Ciências
da Saúde são louvados
O Centro de Ciência e Tecnologia
Todos  por analogia
Possuem os seus mestrados



21
São 18 mil alunos
77 cursos de graduação
355 de pós-graduação
Somente no latu sensu
São mais  9 doutorados
E 27 mestrados
É uma grande produção

22
São três campi na cidade
Do Itaperi vou falar
Ele é bem arborizado
Muitas aves tem por lá
Que merecem o cuidado
De um povo bem educado
Para ele preservar
23
Tem o campus de Fátima
Que é onde me formei
Lá no curso de História
Dele sempre participei
O da 25 de março
Merece o nosso abraço
Agora o registrei
24
A UECE tem prefeito
E eu já estive por lá
A prefeitura da UECE
É a quem cabe cuidar
De todo seu patrimônio
Com a equipe de campônio
Nos traz sempre bem estar





25
Temos dois sindicatos
Do SINDESP vou falar
Ele foi o pioneiro
E continua a lutar
Pelo piso salarial
Com vitória nacional
Só falta mesmo implantar

26
Com o passar dos anos
O SINDUECE surgiu
Liderou várias greves
E assim logo emergiu
Os servidores criaram
O SINESC  e lutaram
E vitórias garantiu
27
Os estudantes estão
Muito bem  organizados
Eles tem os CAs
E estão bem preparados
Tem o DCE também
Eles nunca dizem amém
São bastante engajados
28
Nos seus 40 anos
Queremos então louvar
A todos que fazem a UECE
E ajudaram a conquistar
O que hoje é a UECE
Pois cada um merece
Nossa gratidão levar
29
Por isso nossa homenagem
A você que é servidor
Em qualquer posto que esteja
E também ao professor
Fomos nós que construímos
Por isso nós insistimos
Da UECE tem valor
30
Parabéns a UECE
Aos nossos alunos também
Aos seus pais e a todos
Que com a UECE  mantém
Qualquer uma relação
Falamos de coração
Queremos o vosso bem
31
Ao povo do Ceará
Quero aqui agradecer
Por manter a nossa UECE
E vê-la florescer
Ser uma universidade
Que com muita acuidade
Faz o Ceará crescer.

32
Que Deus abençoe a UECE
E  muito mais anos lhe dê
Que seja pra lá de mil
Para ela florescer
No campo da ciência
Em toda a sua abrangência
E sem parar de crescer













A Universidade Estadual do Ceará celebra os 40 anos de existência e seu Jubileu de Rubi como a primeira universidade pública estadual do Norte, Nordeste e Centro-Oeste e a oitava do Brasil, segundo o Ranking Universitário da Folha (RUF).

Ao longo de suas quatro décadas, a Uece hoje conta com seis unidades no Interior: Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos (Fafidam), em Limoeiro do Norte; Faculdade de Educação, Ciências e Letras de Iguatu (Fecli); Faculdade de Educação de Itapipoca (Facedi); Faculdade de Educação, Ciências e Letras do Sertão Central (Feclesc), em Quixadá; Centro de Educação, Ciências e Tecnologia da Região dos Inhamuns (Cecitec), em Tauá, e Faculdade de Educação de Crateús (Faec).

A Universidade dispõe ainda da Fazenda de Experimentação Agropecuária Dr. Esaú Fradique Accyoli de Vasconcelos, em Guaiuba, e do Campus de Educação Ecológica em Pacoti, além de três campi em Fortaleza – Itaperi, Fátima e 25 de Março.

São 18.499 alunos nos seus 77 cursos de Graduação, sendo 11.037 em Fortaleza, 4.279 nas unidades do Interior, 2.917 nos Cursos a Distância, 122 na Licenciatura Intercultural dos Povos Indígenas, 50 na Licenciatura em Educação para o Campo, 36 no Programa de Formação de Professores e 58 no Pronera. Possui 100 laboratórios, devidamente institucionalizados, distribuídos por Centros e Faculdades da Capital e do Interior do estado, além de mais de 160 grupos de pesquisa, cadastrados no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A Pós-Graduação oferece nove doutorados, 18 mestrados acadêmicos e nove mestrados profissionais. Com relação ao lato sensu, são 355 cursos presenciais de aperfeiçoamento/especialização, duas residências multiprofissionais e cinco à distância, dos quais 53 presenciais e uma residência multiprofissional em saúde em funcionamento.

Ao longo de seus 40 anos, a Uece já diplomou, em nível de graduação quase 60.000  profissionais nas diversas áreas do conhecimento, contribuindo para o Estado do Ceará no seu desenvolvimento econômico, humano e social.


sexta-feira, 17 de abril de 2015

A EXCOMUNHÃO DE DOM CARLOS DUARTE COSTA, na perspectiva dos reflexos da Segunda Guerra Mundial na Igreja Católica no Brasil ( texto em construção) Prof. Francisco Artur Pinheiro Alves


INTRODUÇÃO
Neste momento em que estamos realizando a SEMANA DE HISTÓRIA, com a temática da Segunda Guerra Mundial, trago aos participantes deste importante evento de nosso curso, alguns fragmentos do documento “ Manifesto à Nação Brasileira”, publicado por Dom Carlos Duarte Costa, ex-bispo de Botucatu-SP e ex-bispo de Maura, excomungado pelo papa Pio XII em 1945.
ESCOMUNHÃO DE DOMCARLOS E SUA VERSÃO
Dom Carlos Duarte Costa, foi excomungado pelo papa Pio XII em1945, após uma convivência bastante conflituosa entre ele e a cúpula da Igreja católica no Brasil e em Roma. Ele mesmo narra, assim, sua excomunhão”: “Pela leitura dos jornais do dia 06 de Julho do corrente ano, tive conhecimento que um homem, igual a mim, com os mesmos poderes que eu tenho, Bispo como eu sou,. Pastor de almas como eu sou me havia excomungado.”
O bispo, naturalmente muito revoltado com a sua excomunhão, faz uma relação direta entre a sua excomunhão e sua postura favorável a que o Brasil declarasse guerra a Alemanha, desejo este que ficou manifestado em telegrama que teria enviado ao Presidente Getúlio Vargas. Ou seja, segundo ele, no trecho abaixo de seu manifesto, teria sido excomungado por ter parabenizando o presidente Getúlio Vargas por declarar guerra à Alemanha e no mesmo telegrama denunciar membros da hierarquia da igreja no Brasil, à época, ligados ao Nazi-Facismo, como podemos ler abaixo:
Os bons brasileiros sabem que eu fui excomungado, porque em 17 de Setembro de 1942, passei o seguinte telegrama ao Exmo. Sr. Presidente da República: No momento em que V. Exa. Decreta mobilização, venho trazer-lhe meu abraço irrestrita solidariedade pondo-me inteiro dispor Nação. Com mobilização geral, chamando às armas todos os brasileiros defesa Pátria, lembro ser necessário outra mobilização a espiritual, para que não suceda ao Brasil o que se passou com França, devendo ser retirados suas dioceses, prelazias, paróquias, conventos, colégios, bispos, prelados, padres, frades, freiras, estrangeiros e nacionais, partidários nazi-fascismo-falangismo.
Em outro trecho do longo manifesto, com o sub título de “Episcopado Facista”, ele denuncia o que chama de “Hispanidad, que consistia em um grupo de pessoas partidários do Facismo organizados a partir da Espanha, com uma conecção no Brasil. Vejamos o texto abaixo:
EPISCOPADO FASCISTA
Fui excomungado porque denunciei de Hispanidad o episcopado brasileiro, unido ao episcopado das demais nações americanas, do norte, do centro e do sul, preocupado com a situação da Igreja fascista, no após-guerra. Era a falange em ação. A organização constava de um Comitê, conjunto de partidos fascistas de Portugal e da Espanha, com apoio governamental de Lisboa e de Madrid. Raimundo Fernando Cuesta, embaixador da Espanha no Brasil, era o chefe. Do Rio de Janeiro, Cuesta dirigia todas as atividades da falange na América do Sul. Com os seus cinco secretários, amparados por passaportes diplomáticos, Cuesta comunicava-se com toda a América, organizando o movimento que deveria finalizar com o Império Ibérico, unidos os ditadores Salazar e Franco para devorarem as nações americanas, restabelecendo, destarte, a onipotência papal. O órgão falangista era Nueva Espana editado na Av. Araújo Porto Alegre, 70, na cidade do Rio de Janeiro, veiculador das notícias para Berlim, enviadas pela Embaixada da Espanha. Dificultada a ação da falange, pelo estado da guerra do Brasil, o estado maior da Hispanidad passou para a República Argentina. E eu, de perto, acompanhava o automóvel da embaixada da Espanha, dirigindo-se para a Nunciatura Apostólica e ali parado horas e mais horas. E o povo brasileiro sabe que eu não minto.

O texto é recheado de denúncias contra o Papa Pio XII e ao clero do Brasil e de outras partes do mundo em que, segundo ele, a Igreja teria apoiado o Facismo. Ele cita textualmente o caso  da Igreja Ortodoxa Grega da Rumânia, conforme podemos verificar no trecho seguinte:

O FASCISMO DA RUMÂNIA
Intimidada pela ameaça comunista, a Igreja Ortodoxa Grega, da Rumânia, uniu-se à Igreja Romana, quer dizer, ao nazismo.
O Arcebispo e os Bispos, com exceção de um, Monsenhora Fielder, tornaram-se agentes de Hitler.
Todas as paróquias, mosteiros, escolas e a imprensa católica colocaram-se ao serviço do nazismo e do fascismo.
Em todas as paróquias, havia uma sede do fascio, obedecendo, todas, às ordens de um sacerdote italiano, nomeado chefe por Mussolini.


Ele declara ainda que teria sido preso antes, em 1994 e o motivo era a por ser um comunista, segunda declara. A prisão também teria sido uma articulação entre as autoridades da Igreja no Rio de Janeiro e “grupos facistas”. Vejamos mais este fragmento de seu texto.
MINHA PRISÃO

Em 06 de Julho de 1944, a minha casa ficou cercada, por agentes da polícia, e no dia seguinte, eu era preso, por ordem do governo da República, a pedido do Núncio Apostólico e do Arcebispo do Rio de Janeiro, mancomunado com um grupo de fascista brasileiros
Meu destino era a Fortaleza de Santa Cruz. Fui, porém, enviado para Belo Horizonte, onde fui fichado como comunista e, em seguida, recolhido a uma casa, na cidade de Bonfim, no Estado de Minas Gerais, com sentinela à porta e investigadores dentro de casa.
Lá fiquei até 06 de Setembro de 1944, quando, a pedido da Associação Brasileira de Imprensa e da Política das Nações Unidas, intervindo junto ao governo brasileiro, por intermédio de suas Embaixadas, fui posto em liberdade.
Aqui manifesto toda minha gratidão à Associação Brasileira de Imprensa, de um modo especial ao seu ilustre Presidente Herbert Moses, e às Embaixadas dos Estado Unidos, da Inglaterra e do México.
Em mais um trecho ele reforça a sua convicção de que houve uma relação entre a sua excomunhão e a postura da Igreja em relação à Segunda Guerra Mundial e afirma textualmente que tal política era liderada pelo Papa Pio XII, a quem trata em todo o texto de “meu irmão Eugênio Pascelli, nome de batismo do Papa Pio XII. Vejamos o fragmento:
Fui, pois excomungado porque não me sujeitei à política fascista do meu irmão, Eugênio Pacelli. E os bons brasileiros, separam-se da Igreja Romana, porque não admitem, não querem fazer parte de uma igreja fascista.
Nessa guerra, a Igreja Romana tornou posição ao lado do nazi-fascismo, porque ela, a Igreja Romana, é fascista na sua estrutura, nas encíclicas pontifícias, mesmo, perfeita no seu fascismo, que é o solidarismo católico. Coloca ela seus interesses econômicos acima do bem espiritual das almas e destarte, torna-se defensora acérrima do capitalismo e do imperialismo.
Como se vê, e a leitura completa do texto nos dá mais convicção, Dom Carlos Duarte Costa denuncia em mais de um trecho de seu “Manifesto à Nação”, que sua excomunhão está diretamente ligada à sua postura contra o Nazismo e o Facismo e pela defesa que fez para que o Brasil declarasse guerra à Alemanha, o que só veio a ocorrer em 1943.
Foi a partir de sua excomunhão que ele organizou e registrou a Igreja Católica Apostólica Brasileira – ICAB, na qual aboliu a obrigatoriedade do celibato, a missa passou a ser celebrada na língua pátria e claro, não ficava vinculada ao Vaticano.
À GUISA DE CONCLUSÃO
Podemos dizer que houve um cisma na Igreja Católica Romana no Brasil e um dos protagonistas deste movimento, vincula a sua excomunhão, ato que provocou o cisma, à sua postura contra o Nazismo e o Facismo e ao fato de ser  defensor de que o Brasil declarasse guerra á Alemanha e expulsasse os seus colegas de clero simpatizantes dos nazistas e facistas. Evidentemente que a sua relação com o Vaticano já era conflituosa desde a sua saída da diocese de Botucatu, ato que nunca aceitou e de sua nomeação como bispo de Maura, uma diocese extinta da Muritânia. Mas suas palavras são tão fortes que precisamos analisa-las com bastante atenção para verificar o quanto esta sua postura contribuiu para o seu desligamento da Igreja Romana.


P. S.
Este é um tema instigant e que merece a atenção dos que tem interesse em estudar  as relações Igreja Estado, Segunda Guerra Mundial ou mesmo na história da Igreja no Brasil. Ficamos á disposição dos alunos interessados neste tema.

Quem tiver interesse de ler o manifesto de Dom Carlos na íntegra o mesmo está em vários sites  na internet. Eu mesmo tenho um blog no qual publiquei este manifesto e o endereço é este: www.bispodeamura.blogspot.com

sábado, 27 de setembro de 2014

FAIXA DE GAZA: A paz é o caminho

            A situação da Faixa de Gaza é preocupante. Um conflito que parece eterno entre judeus e grupos palestinos que ali residem, tende a piorar cada vez mais. Esperava-se que houvesse a possibilidade de diálogo e a construção de um caminho para a paz, com tantas tentativas, tantos eventos em prol deste desiderato, mas não é isso que está acontecendo, pelo contrário as divergências chegaram a tal ponto que mais uma guerra explodiu e desta vez de forma muito mais violenta, sangrenta e mortífera que as anteriores, matando jovens, crianças, idosos e gente de todas as idades.
Do lado palestino a matança é esmagadoramente maior do que do lado judeu, isso por que o exército de Israel é de uma superioridade exponencial em relação aos militantes do Ramas e não tem piedade quando atacam.  Alegam que estão se defendendo dos ataques palestinos. Mas bem que poderiam apenas se defender sem atacar.
Como assim? Utilizando apenas o seu arsenal de baterias antiaéreas  altamente sofisticado, para interceptar os foguetes do Ramas. Assim o mundo inteiro iria entender que Israel estava apenas se defendendo  passaria a condenar o belicismo do Ramas. Ou seja, se Israel assim procedesse estaria reagindo a partir de um parâmetro  racional de não violência, dentro do conceito “gandhiano” de  luta, renunciando à violência.
Mas não é o que se ver e parece impossível acontecer, a não ser por u milagre divino. Israel não se contenta em se defender, apenas interceptando os tais  foguetes do grupo  Ramas, parte para o ataque, usando a estratégia de que a melhor defesa é o ataque.
Estrategicamente o Ramas, inserido em uma região densamente povoada, instala os seus  postos bélicos no meio destes espaços povoados e dizem até que junto a escolas, hospitais e outros espaços sociais. Não se sabe até que ponto isso é verdade, pois na guerra a verdade é a primeira e grande vítima. Resultado: os bombardeios aéreos e terrestres de Israel atingem os seus alvos e o que está na sua periferia, matando centenas de civis.
Apear das baixas de Israel serem infinitamente inferiores à dos palestinos, pela sua superioridade militar, não se pode esquecer que são vidas de jovens que tombam de forma prematura, por causa da intolerância  dos seus líderes  que não cedem um milímetro de suas estratégias militaristas .
Portanto, o conflito entre Israel e da Palestina incluindo o grupo palestino do Ramas é algo muito sinuoso, difícil de defender  um lado, a não ser o lado da paz no qual ambas as partes renunciam à guerra e passam a tratar suas profundas divergências através do diálogo.  Só há um a possibilidade de haver paz é quando ambas as partes resolverem  respeitarem-se mutuamente, cada um reconhecendo o direito de existência do outro, algo que está difícil de acontecer e que o ódio disseminado nos recentes combates e mortes resultantes destes, é algo improvável de ocorrer a curto e a médio prazos.
Resta pedirmos a Deus para abrandar os corações de todos os protagonistas deste teatro  belicoso e devastador de vidas, rogando que convençam-se de que a paz é o único caminho que lhes resta ,ainda que todas as teorias militaristas digam o contrário.
 Prof. Francisco Artur Pinheiro Alves do curso de História da UECE
Artur.uece@yahoo.com.br
artigo escrito em 27/07/2014

AS GREVES NA UECE: Tá na hora de fazermos um plebiscito antes de decretarmos uma greve.


A decisão da última assembléia dos professores da UECE de entrar em greve imediatamente, foi tomada por cerca de 71 professores dos 106 presentes à assembléia. Como resultado da assembléia pode-se argumentar que foi a maioria quem decidiu, mas em relação ao conjunto dos professores da UECE, representa um contingente de menos de 10% da categoria. Isto pode levantar um questionamento, inclusive do governo, de que a  greve é ilegal, pois não foi decidida pela maioria do conjunto dos professores. Pode também suscitar dúvidas entre os professores e ser motivo de não adesão ao movimento.
Para que a decisão de uma greve seja realmente legítima é preciso que toda a categoria seja consultada e possa se manifestar: Votando a favor, contra ou se abstendo. Como fazer isso? Para mim só através de um plebiscito, como ocorre na UFC atualmente.
Um plebiscito, todos os professores teriam oportunidade de, no seu colegiado, centro ou faculdade, dar o seu voto, longe de pressões, como deve ser toda e qualquer consulta popular. O plebiscito é uma das  formas de democracia direta defendida por vários partidos políticos e de setores do movimento social. Após as manifestações de julho de 2013 o governo federal apresentou uma proposta de reforma política aprovada em plebiscito. O plebiscito é defendido por setores de vanguarda da política nacional e internacional. Por que não ser exercido por uma categoria profissional? Entendo que seria esta uma forma mais democrática e legítima para as decisões de grande  interesse dos professores e da sociedade cearense, como é o caso de se decretar uma greve numa universidade pública.
Esta é a proposta que faço aos colegas professores e a diretoria do sindicato da UECE, uma vez que sou daqueles que não sinto legitimidade em uma decisão tomada por um número bem inferior ao contingente de nossos professores.
Fica aí a minha proposta como contribuição ao debate, para ser avaliada, discutida, principalmente enriquecida  e criticada pelo conjunto de colegas de nossa universidade e pelo nosso colendo e bravo órgão de representação sindical o SINDUECE. Se nós aprovarmos uma fórmula de plebiscito para decisões tão importantes como a decretação de uma greve, seremos referência para os nossos funcionários, estudantes da UECE e de nossas co-irmãs UVA E URCA e ninguém poderá questionar a legitimidade de nossa decisão.

PROF. FRANCISCO ARTUR PINHEIRO ALVES
COORDENADOR DO CURSO DE HISTÓRIA – CH
Artur.pinheiro@uece.br

sábado, 15 de fevereiro de 2014

MÚSICA PARA OS DITADORES DE PLANTÃO NO MUNDO INTEIRO

A música de Chico Buarque feita para um dos presidentes da ditadura militar, se adéqua a todos os ditadores de plantão, de direita ou de esquerda. Oferecemos esta música a todos as pessoas oriundas de países governados por ditadores e  que estejam no Brasil neste momento.

Apesar de Você
Chico Buarque

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu

Você que inventou esse estado
E inventou de inventar
Toda a escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar
O perdão

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar

Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro

Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Inda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear
De repente, impunemente
Como vai abafar
Nosso coro a cantar
Na sua frente

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai se dar mal
Etc. e tal
Lá lá lá lá laiá

ISONOMIA SALARIAL NO MAIS MÉDICOS:

Os médicos cubanos estão dando uma força na saúde do povo brasileiro, isso é fato. Por isso merecem receber o mesmo que os médicos brasileiros e médicos de outros países. Tudo bem que paguem os impostos ao governo de seu país, o imposto de renda, mas receber apenas 10% do que os outros recebem, é uma grande injustiça. Pra onde vai este dinheiro? Devemos cobrar isonomia no salário dos médicos de programa MAIS MÉDICOS, acho que esta bandeira deve ser assumida pelo sindicato e entidades médicas brasileiras: ISONOMIA SALARIAL NO MAIS MÉDICOS. É o mínimos que estas instituições do movimento sindical devem fazer.



Nossa homenagem à médica Ramona Rodríguez que denunciou esta situação e desistiu do programa.